O som da chuva no teto do carro ressoava. As gotas escorriam pelos vidros, quase como se competissem em uma corrida entre si. O para-brisas do carro era tomado pela água que caia do céu. O limpador fazia o seu trabalho. Empurrava com certa delicadeza as gotas que se acumulavam. O mundo passava ao redor, paisagens ficam para trás. No teto a chuva parecia sinônimo de tranquilidade. De uma noite qualquer, que por isso mesmo se fazia tão especial. A chuva, em sua violência natural, hora ou outra era sentida como gentil.
Dell.
ResponderExcluirteu texto transforma um instante comum em cena poética. A chuva deixa de ser apenas fenômeno natural e passa a ser personagem ora inquieta, ora mansa, quase íntima. Gostei muito dessa contradição bonita que apresentas: a violência natural da chuva que, ainda assim, pode ser sentida como gentileza. Isso revela sensibilidade no olhar.
A imagem das gotas “competindo” no vidro e do limpador empurrando-as com delicadeza cria um ritmo visual que envolve, como se estivéssemos sentados dentro do carro, observando o mundo passar em silêncio. Há uma quietude profunda nessa noite descrita, uma pausa no tempo que transforma o normal em especial.
É um texto simples na forma, mas rico na atmosfera. E é exatamente aí que mora sua beleza.
Abraço
Fernanda
Agradeço pela sensível leitura, Fernanda!
ExcluirAbraços!