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| Correio Paraense, ano I, n. 132, 07 de out. 1892. |
Hoje eu me deparei com uma breve matéria de protesto no jornal Correio Paraense, de 07 de outubro de 1892(ano I, n.132). Naquela época, que o Brasil era República há poucos anos, a questão do lixo continuava sendo um problema pelas ruas de capitais como Belém, no Pará. Desde o período do Império, pelo menos, os urubus eram vistos em Belém como fundamentais auxiliadores no consumo de animais mortos. Tratei disso em meu artigo sobre urubus, disponível aqui, e revelei a importância que o discurso e a prática pública reconheciam nessas aves. Criando até mesmo Leis que protegiam a vida desses animais.
Porém, essa espécie não conseguia resolver sozinha os problemas urbanos de Belém relacionados com o descarte de resíduos pelos humanos. É daí que surgiam pedidos pelo "Asseio da cidade". Afinal, o descuido público com os "lixeiros" estava há muito tempo "pedindo umas vassouras". O jornal divulgava a insatisfação com o despejo realizado pela população e também com a falta de coleta adequada.
De forma contundente, afirmava que em pouco tempo seria difícil trafegar pela cidade sem o medo de "esbarrar-se nos montes de lixo que desde já começam pyramidalmente a servir de enfeite nesta moderna cidade".
Listava um problema grande causado pelo despejo incorreto de "toda a immundice das cozinhas, resto de comidas deterioradas, fructas podres, verduras estragadas", que seriam alimento e proteção para a "industria dos microbios". O temor envolvia a saúde pública, pois nesse período o processo de transmissão de doenças ainda estava sendo compreendido. Acreditava-se que os maus odores transmitiam pelo ar os diversos tipos de doenças. Era então inadimissível "o cheiro que partia do lixo empilhado às portas".
Algumas casas comerciais ainda estavam, segundo a reclamação, atirando "para a rua caixões de lixo acumulado na cozinha do estabelecimento", violando o código de posturas, o asseio da cidade e "a própria decência".
Clamava, por fim, a importância da remoção correta e frequente "do lixo de todas as casas, quer públicas ou particulares".
Nos dias de hoje, a coleta de resíduos ainda é motivo de conflitos constantes na capital paraense. Porém, tão frequente quanto, é o descarte incorreto de lixo realizado nas casas, nas praças, nas ruas e até mesmo de dentro dos ônibus. A solução nunca é uma via de mão única, apenas esperando a coleta pública, mas começa com a conscientização e ação do indivíduo.

Que texto interessante.
ResponderExcluirAmigo, agradeço a leitura e o comentário
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