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A Batalha de Krasnoi (1812)

A Batalha de Krasnoi, travada de 15 a 18 de novembro de 1812, terminava em 18 de novembro com a derrota do exército francês. A Batalha se tratou de vários embates na fase final de retirada das tropas de Napoleão da fracassada tentativa de invasão à Rússia. A tropa liderada pelo francês Marechal Ney viveu uma derrota contra as tropas do general russo Conde Miloradovic.

Nos quadros a seguir está uma representação do conflito, na Arte de Peter von Hess. Observe primeiro o quadro inteiro, depois os detalhes que destaquei.

A Batalha de Krasnoi Krasny em 17 de novembro de 1812, 1849. Peter von Hess. Coleção: Museu Hermitage, São Petesburgo (Rússia).







Os animais de Otto Franz Scholderer (1834-1902)

Nascido na cidade de Frankfurt am Main, no ano de 1834, Otto Franz Scholderer era filho de Johann Christoph Scholderer e Emilie Scholderer (nascida Emilie Kiefhaber). Enquanto sua mãe cuidava da casa e dos filhos, seu pai trabalhava como professor na Musterschule, uma escola de ensino secundário.


Autorretrato com utensílios de pintura. 1861/62. Coleção: Städel Museum. Fonte: commons.wikimedia.org.


Johann, o pai do artista, foi político por curto período. Foi eleito, em 1848, para a Assembleia Constituinte da cidade, mas renunciou no ano seguinte: 1849. Foi nesse mesmo ano que Otto Scholderer entrou para a Academia de Arte de Städel, localizada na cidade em que nasceu e cresceu. Entre seus professores, teve Jakob Becker, um importante nome do Realismo na Alemanha.

O artista teve certo reconhecimento durante seu período na Inglaterra. Porém, ainda antes de seu retorno à Alemanha, aos poucos perdia destaque e, nos dias de hoje, é frequentemente mencionado como um pintor que caiu na "obscuridade".

Não se consolidou como um grande nome na História da Arte, como aqueles que inspiraram sua arte: Édouard Manet e Gustave Courbet.

Suas pinturas representaram paisagens, retratos e, especialmente, natureza-morta. Atualmente, Scholderer é visto como um artista que produziu obras que estavam entre o Romantismo e o Impressionismo.

É um artista que aprecio muito, especialmente quando mistura humanos e animais. Apresento aqui duas de suas obras. Talvez não sejam obras finalizadas. Afinal, são desenhos que provavelmente serviriam como estudo para uma pintura. Comento brevemente cada um.

Der junge Wilddieb (O jovem caçador furtivo). 1889. Coleção: Städel Museum. Fonte: Sammlung.

Esse é um desenho feito com giz preto em papel artesanal (Büttenpapier). Scholderer representa uma cena de caçada. Os protagonistas são o pai (sentado olhando para o espectador, que observa o momento), o filho (segurando próximo ao corpo sua caça) e, não se pode deixar de notar, o cão de caça que, sem dúvida, foi fundamental para o sucesso da empreitada (e ainda se mantém muito atento).

A característica de furtividade dos caçadores, expressa também no título, foi indispensável para a captura. Os animais capturados, que servirão de alimento ou serão comercializados pela família, aparentemente são lebres. Espécie muito presente nas pinturas de Otto Scholderer. Sempre representados como natureza-morta. Os cadáveres de lebre, resultantes das caçadas, são desenhados e pintados pelo artista que observava a vida rotineira.

O campo é o ambiente onde se desenvolve a ação dos protagonistas.

No desenho seguinte, saímos do campo para o ambiente da cidade. As duas cenas poderiam até ser vistas como complementares. Afinal, observaremos agora o local de venda de caças.


No vendedor de carne de caça (Beim Wildbrethändler). 1890. Coleção: Städel Museum. Fonte: Sammlung.

A técnica utilizada para o desenho é a mesma. O ambiente, como pode ser visto, é muito diferente. Retrata o interior do ponto de venda de um comerciante de carne de caça. Uma lebre é suspensa, morta, entre aves igualmente abatidas.

Em primeiro plano, dois homens dialogam sobre algo. Um deles segura um cesto cheio, o outro mantém uma faca na mão direita, enquanto ajusta o avental. Os desatentos talvez não percebam, mas ao fundo uma mulher está atenta, saindo de dentro do outro cômodo. Ouve os homens ao mesmo tempo em que enxuga suas mãos. Quem sabe, os homens discutem sobre alguma entrega, e a mulher limpa as mãos depois de retirar a pele de alguma caça. Nunca saberemos.

A cena deste segundo desenho aparece em outros momentos na arte de Scholderer. Conheço duas pinturas finalizadas, atribuídas a ele, que registram algo muito semelhante. Além de outros desenhos.

Podemos concluir que o artista percebeu e contemplou os ambientes de abate e venda de caças. Os animais de Scholderer, nessas cenas, aparecem já sem vida. Abatidos pelo cotidiano dos animais humanos, que também precisam comer. Comem para viver e para saborear. 

Por isso, caçam para si ou para comercializar.

Essas obras nos lembram que a vida comum pode sempre ser vista como uma obra de arte.

Osage contra Pawnee: escravidão antes e durante os colonizadores

A vida era já muito complexa nas Américas mesmo antes dos colonizadores. Diferente do que o senso comum imagina, e muitas vezes é replicado nas escolas, a existência das nações nativas das Américas não era menos conturbada do que a das nações na Europa.

Não existia pelos lados daqui uma paz e harmonia entre os povos e a natureza. Pelo contrário, os grupos humanos daqui já conviviam entre parcerias e conflitos. O caso dos Osage e dos Pawnee, nativos dos atuais Estados Unidos da América, é muito significativo.

Osage Chief and Two Warriors (Chefe Osage e Dois Gurreiros). 1861/1869. George Catlin. Fonte: National Gallery of Art, www.nga.gov. 


Os Osage, desde muito antes dos europeus chegarem ao solo americano, eram uma nação que vivia entre os atuais Kentucky e Mississippi. Em tempos mais recentes (século XVII) passaram a se estabelecer em regiões do Missouri, Arkansas, Kansas e Oklahoma. 

Nesses processos históricos, construíram parcerias com outros grupos (após o contato com europeus, firmaram parcerias com as nações Kiowa, Comache e Apache - a falta de registros dificulta a reconstrução de suas parcerias anteriores aos europeus, mas evidências linguísticas sugerem que tiveram contato próximo com os Ponca e Kansa). Porém, a vida dos grupos humanos não é feita apenas de amizade. O processo de mudança de território também é muito conflituoso em qualquer lugar do mundo. Na América não seria diferente. 

Ao longo do tempo, os Osage criaram conflitos com outras nações, especialmente os Caddo e os Pawnee. A nação Osage se estabeleceu como forte e dona de um vasto território. A prática da captura de inimigos era comum. Poucos eram incorporados ao grupo, mas a maioria era transformada em escravos. O objetivo era utilizá-los em trabalhos forçados, aumento de status ou para fins ritualísticos (os humilhando ou matando em público)

Durante o contato com os europeus, especialmente os franceses no século XVIII, os Osage perceberam que seria benéfico ampliar as capturas de inimigos e os comercializar como escravos. O intuito era conseguir itens, como metais, bebidas e armamentos. Entre seus inimigos mais significativos, estavam os Pawnee.


Pawnee Indians. 1861/1869. George Catlin. Fonte: National Gallery of Art, www.nga.gov. 


Os grupos nativos se aproveitaram também dos conflitos entre os grupos europeus. Nesse caso, entre franceses e espanhóis. Pawnees e Apaches, por exemplo, buscavam as tecnologias de guerra dos franceses ou espanhóis para lutar seu próprio conflito (que era extremamente intenso). Já os Osage, pensavam em médio prazo quando estabeleciam seu comércio. Tentaram barganhar com os europeus, entre os séculos XVIII e XIX, uma espécie de monopólio comercial. Entre o fornecimento de cavalos e humanos escravizados, os Osage queriam a garantia de que seus parceiros econômicos da Europa não negociariam com os Pawnees.

O número de Pawnees capturados e comercializados pelos Osage foi muito significativo. Até transformou o termo, com uma pronúncia do francês (Panis), em sinônimo de "escravo indígena" - entre os franceses e canadenses. Os espanhóis teriam sido responsáveis diretos pelo fim do comércio de escravizados Pawnees pelos Osage. Os espanhóis pretendiam enfraquecer os Osage, grandes parceiros dos franceses, por meio de parcerias com Pawnees e dificultando a captura deles pela nação Osage.

Apesar da escravidão que os Osage praticavam contra os Pawnee ser obviamente diferente daquela que foi estabelecida no contato entre Osage e franceses, a meu ver não pode ser diminuída. Afinal, toda forma de escravidão é um ataque ao indivíduo escravizado. Qualquer escravidão deve ser lembrada como tal.


Referências:

BURNS, Louis F. A history of the Osage people. University of Alabama Press, 2004.

HARMAN, Maryellen Ruth. Entangled Trade: Peaceful Spanish-Osage Relations in the Missouri River Valley, 1763-1780. Masters Thesis Of Arts, History. Missouri State University, 2017.

ROLLINGS, Willard H. The Osage: an ethnohistorical study of hegemony on the prairie-plains. University of Missouri Press, 1995.


Quadra para São Frutuoso



Quadra para São Frutuoso


São Frutuoso de Constantim,

rogue do céu por mim.

Peça Serafins aos meus lados,

proteja-me dos cães danados.




Escrevi esta quadra, literalmente apenas uma, para participar da 4ª Homenagem aos Santos Populares, organizada pelo escritor Juvenal Nunes, pelo seu Blog Palavras Aladas.

Minha inspiração foi um Santo sobre o qual eu estava pesquisando há alguns meses. Não lembro como me deparei com São Frutuoso de Constantim (Portugal). Nem sei se o encontrei primeiro ou ao tema da "mordedura de cães danados".

Como sabemos, em um passado muito recente, a medicina ainda não tinha muito conhecimento sobre diversos detalhes do funcionamento biológico humano. Além disso, mesmo quando começaram a desenvolver tecnologias medicinais, muitas vezes a maioria das pessoas não tinha acesso.

O que restava, com a ausência de tratamentos médicos, era rezar e pedir intercessão dos Santos. Esse foi o caso com a doença chamada "raiva", que pode ser transmitida por cães, entre outras espécies, para os humanos por meio da mordida.

Era comum existir padroeiros e orações para Santos específicos que auxiliavam no combate a certas doenças. Seja protegendo delas ou curando os contaminados. Em Portugal do século XIX, ainda se mantinham fortes as preces contra "mordeduras"/mordidas de "cães danados". Esse termo era usado popularmente para denominar os cães contaminados pela raiva.

Um dos padroeiros contra as mordeduras de cães era São Frutuoso de Constantim, que foi muitas vezes confundido com São Frutuoso de Braga (confusão entre nomes de Santos muito comum desde a Idade Média). O Frutuoso de Constantim teria vivido por volta do século IX.

Pelo menos duas relíquias sagradas, usadas contra mordeduras, foram atribuídas a São Frutuoso. Uma delas era o "Dente de São Frutuoso", a outra, a "Sagrada Cabeça de São Frutuoso". A primeira é óbvia, um suposto dente do Santo que protegia os enfermos de raiva (faz muito sentido ser um dente, já que é uma doença transmitida por mordida). A segunda relíquia é um pedaço superior do crânio de São Frutuoso. Ambas eram usadas para curar as mordeduras dos cães danados.

Não deixarei referências bibliográficas sobre o tema, mas recomendo a ótima página da cidade de Constantim, em Portugal, que trata sobre o Santo:

Leituras