![]() |
| Início do livro de Chamberlain, citando Arianos. 1899. Fonte: archive.org. |
Sobre coisas do mundo ou qualquer outra coisa. - Graduado em História (UFPA), Mestre em História (PPHIST-UFPA), Especialista em Games na Educação. Escrever, falar ou ser resultam no mesmo nada ontológico. Então opino sem ninguém me perguntar. Tento ser algo entre Marco Aurélio, Diógenes de Sínope e Roberto Bolaños.
Nazismo e arianismo: um tema mal ensinado
Os animais de Otto Franz Scholderer (1834-1902)
Nascido na cidade de Frankfurt am Main, no ano de 1834, Otto Franz Scholderer era filho de Johann Christoph Scholderer e Emilie Scholderer (nascida Emilie Kiefhaber). Enquanto sua mãe cuidava da casa e dos filhos, seu pai trabalhava como professor na Musterschule, uma escola de ensino secundário.
![]() |
| Autorretrato com utensílios de pintura. 1861/62. Coleção: Städel Museum. Fonte: commons.wikimedia.org. |
Johann, o pai do artista, foi político por curto período. Foi eleito, em 1848, para a Assembleia Constituinte da cidade, mas renunciou no ano seguinte: 1849. Foi nesse mesmo ano que Otto Scholderer entrou para a Academia de Arte de Städel, localizada na cidade em que nasceu e cresceu. Entre seus professores, teve Jakob Becker, um importante nome do Realismo na Alemanha.
O artista teve certo reconhecimento durante seu período na Inglaterra. Porém, ainda antes de seu retorno à Alemanha, aos poucos perdia destaque e, nos dias de hoje, é frequentemente mencionado como um pintor que caiu na "obscuridade".
Não se consolidou como um grande nome na História da Arte, como aqueles que inspiraram sua arte: Édouard Manet e Gustave Courbet.
Suas pinturas representaram paisagens, retratos e, especialmente, natureza-morta. Atualmente, Scholderer é visto como um artista que produziu obras que estavam entre o Romantismo e o Impressionismo.
É um artista que aprecio muito, especialmente quando mistura humanos e animais. Apresento aqui duas de suas obras. Talvez não sejam obras finalizadas. Afinal, são desenhos que provavelmente serviriam como estudo para uma pintura. Comento brevemente cada um.
![]() |
| Der junge Wilddieb (O jovem caçador furtivo). 1889. Coleção: Städel Museum. Fonte: Sammlung. |
Esse é um desenho feito com giz preto em papel artesanal (Büttenpapier). Scholderer representa uma cena de caçada. Os protagonistas são o pai (sentado olhando para o espectador, que observa o momento), o filho (segurando próximo ao corpo sua caça) e, não se pode deixar de notar, o cão de caça que, sem dúvida, foi fundamental para o sucesso da empreitada (e ainda se mantém muito atento).
A característica de furtividade dos caçadores, expressa também no título, foi indispensável para a captura. Os animais capturados, que servirão de alimento ou serão comercializados pela família, aparentemente são lebres. Espécie muito presente nas pinturas de Otto Scholderer. Sempre representados como natureza-morta. Os cadáveres de lebre, resultantes das caçadas, são desenhados e pintados pelo artista que observava a vida rotineira.
O campo é o ambiente onde se desenvolve a ação dos protagonistas.
No desenho seguinte, saímos do campo para o ambiente da cidade. As duas cenas poderiam até ser vistas como complementares. Afinal, observaremos agora o local de venda de caças.
![]() |
| No vendedor de carne de caça (Beim Wildbrethändler). 1890. Coleção: Städel Museum. Fonte: Sammlung. |
A técnica utilizada para o desenho é a mesma. O ambiente, como pode ser visto, é muito diferente. Retrata o interior do ponto de venda de um comerciante de carne de caça. Uma lebre é suspensa, morta, entre aves igualmente abatidas.
Em primeiro plano, dois homens dialogam sobre algo. Um deles segura um cesto cheio, o outro mantém uma faca na mão direita, enquanto ajusta o avental. Os desatentos talvez não percebam, mas ao fundo uma mulher está atenta, saindo de dentro do outro cômodo. Ouve os homens ao mesmo tempo em que enxuga suas mãos. Quem sabe, os homens discutem sobre alguma entrega, e a mulher limpa as mãos depois de retirar a pele de alguma caça. Nunca saberemos.
A cena deste segundo desenho aparece em outros momentos na arte de Scholderer. Conheço duas pinturas finalizadas, atribuídas a ele, que registram algo muito semelhante. Além de outros desenhos.
Podemos concluir que o artista percebeu e contemplou os ambientes de abate e venda de caças. Os animais de Scholderer, nessas cenas, aparecem já sem vida. Abatidos pelo cotidiano dos animais humanos, que também precisam comer. Comem para viver e para saborear.
Por isso, caçam para si ou para comercializar.
Essas obras nos lembram que a vida comum pode sempre ser vista como uma obra de arte.
Quadra para São Frutuoso
Quadra para São Frutuoso
São Frutuoso de Constantim,
rogue do céu por mim.
Peça Serafins aos meus lados,
proteja-me dos cães danados.
Meu novo desejo impossível: ter conhecido as obras de Sabin Balasa desde sempre
COP 30 Nasceu morta
Com o atual cenário mundial de guerra, temor de guerra na Europa e Oriente, conflito econômico intenso entre EUA e China, e com Donald Trump sendo Presidente dos EUA, a COP 30 infelizmente nasceu morta.
O ambiente internacional não é propício para uma COP com resultados efetivos para planejar e investir (os países ricos) grandes montantes para a questão ambiental. Quando sua casa está em chamas você não senta e planeja como diminuir queimadas na Amazônia, você apaga o fogo da sua casa. Depois pensa no dinheiro para a energia elétrica do fim do mês, até porque mortos não precisam de energia elétrica, ou de Meio Ambiente equilibrado. O atual movimento no globo é dos EUA tentando não perder espaço para China, e grande parte da Europa temendo uma expansão da Rússia. Fora as últimas notícias sobre a Índia e Paquistão.
Como discutir seriamente o investimento (especificamente o Brasil conseguir ganhar investimento de países com capacidade para isso) e políticas contra problemas ambientais sem saber se as sociedades como conhecemos existirão no ano que vem? Exagero, em certa medida, esse "fim" das sociedades. Porém, as possíveis mudanças drásticas não são exagero. Quem da Europa vai investir o suficiente tendo em vista que precisam investir muito nos próprios exércitos? Com Trump fora da Mesa de negociação, ainda existe algum sentido na COP 30? China vai estar disposta a assumir o papel dos EUA? Rússia?
Para além disso, creio que antes de discussões internacionais, planejamento local, regional e nacional é indispesnável. Sem ele o que o Brasil quer da COP 30? Para onde a Amazônia, para falar apenas de uma região do Brasil, quer caminhar? O governador perguntou isso para a população? Ao mesmo tempo que o Governo Federal apoiou uma COP 30 no Brasil, é altamente defensor da exploração de petróleo na Foz do Amazonas.
É totalmente compreensível o interesse em explorar petróleo. É justo quando se planeja mais postos de trabalho, tecnologia (inclusive investimento em novas), comércio internacional, arrecadação, etc. Mas inegavelmente é contraditório com a COP 30. É nítido que depois da COP 30 o Governo Federal e Estaduais estarão empenhados em realizar a exploração desse petróleo. Compreensível. Caso a população local e regional deseje um planejamento de desenvolvimento regional e nacional dentro da economia do petróleo e tudo que está ligado com ele, bônus e danos, até eu apoio essa exploração. Mas alguém perguntou o que a população quer?
O Governo Estadual do Pará e Municipal de Belém estão abertamente tratando a COP 30 como a Copa que não foi. A Copa de 2014 que Belém perdeu para Manaus, que sediou os jogos. Pretende realizar melhorias estruturais (muito bem vindas) que poderiam ter sido feitas com os investimentos para a Copa. Falam, especialmente o Prefeito, na COP como um grande momento para a economia local. Certo... Mas e o tema da COP, como fica? Soluções sustentáveis, planejamento para conseguir investimento em pesquisa científica, tecnologia, parcerias internacionais, etc. Belém sabe o que quer da COP 30? E o Pará? E o Brasil?
Sei que em um cenário de caos internacional, como o atual, é possível pensar e investir em energias renováveis (como a União Europeia pesquisando coleta de energia solar no espaço, até pelo problema com a dependência de fontes russas de energia - China seguindo um caminho semelhante com essa tecnologia - enquanto Trump quer voltar ao carvão sem planos de mudar isso). Porém, os países estão dispostos a compartilhar investimento e conhecimento com o Brasil? O Brasil quer isso na COP? O Pará quer algo além de movimentar a economia de Belém e regiões nesse período da COP 30?
A COP 30 já nasceu morta quando em plano local e regional não existe nenhum planejamento de desenvolvimento sustentável que pretendem impulsionar com essa Conferência. E não existe, ou não parece existir, discussão a respeito dos objetivos locais/regionais/nacional com o evento. O atestado foi confirmado com o cenário internacional nada propício para eventos internacionais efetivos para sustentabilidade. COP 30 acaba, falando sobre como devemos usar energias renováveis, e no dia seguinte o Governo está fazendo o projeto de exploração de petróleo na Foz do Amazonas.
Talvez fosse mais efetivo um evento de âmbito nacional. Menos custoso e mais eficaz para planejar e executar. É possível levar a COP 30 a sério regionalmente quando a população local migra para áreas distantes em busca de menos violência e algum emprego? Não seria melhor pensar primeiro em âmbito local, regional e nacional antes de buscar investimentos internacionais? Quem sabe ainda dê tempo para a COP 31.
Um dos resultados atuais da COP 30 em Belém é a inflação.
CRÍTICA - Justiça Jovem vol. 1, Aceitável, mas não o esperado.
![]() |
| Capa alternativa de Young Justice 4, por Dan Mora. Fonte: Justiça Jovem vol. 1 (2020). |
Lançado pela Panini no dia 11 de Setembro de 2020, só comprei o encadernado com as primeiras 6 edições de Justiça Jovem (Young Justice) esses dias. Estava com uma expectativa para a aparição da Lanterna Nerd (ou Teen Lantern no original), primeiro porque sempre fico empolgado com um novo Lanterna humano, mais ainda quando é da América Latina.
Tudo bem que a Keli Quintela, Boliviana da cidade de La Paz, não é uma Lanterna Verde convencional. Afinal o que ela fez foi hackear uma bateria de energia da Vontade, o combustível ecologicamente correto dos Lanternas Verdes. Detalhe que a criança tem apenas 9 11 anos. Infelizmente Quintela tem pouquíssimo espaço nas primeiras edições que estão nesse volume.
Consumi o encadernado com mais incômodo do que diversão. Para um reinício as coisas foram rápido demais. O clímax curto, quando parece que iniciou ele acaba.
O roteiro de Brian Michael Bendis está aceitável, ainda não consigo chamar de bom. Seus diálogos estão bons, mas em alguns momentos me incomodaram, menos os do Impulso, ele sempre está muito engraçado. A grande combinação de Brian Michael Bendis (roteiro) e Jamal Campbell (arte) talvez tenham sido a fórmula para tornar os diálogos de Naomi (outro quadrinho da DC lançado no Brasil recentemente) muito confortáveis e toda a história mais dinâmica e com movimento.
Já em Justiça Jovem, somando Bendis (roteiro) mais Patrick Gleason e John Timms (ambos na arte), os diálogos rápidos me causaram mais atenção para que a arte parece sempre estar em ausência de movimento. Passagens muito abruptas de um quadro para o outro também geram desconforto e questionamentos de "Como isso aconteceu sendo que antes era isso aqui?". Nos quadrinhos antigos essa sensação não ocorrida por conta dos retângulos amarelos que explicavam o que se dava entre um quadrinho e outro, mas ninguém usa isso hoje em dia - seria mais confortável colocarem isso nessas edições.
A arte provocou uma sensação de que a história queria acabar logo. Parece que era apenas um prólogo sem importância, mas sempre afirmando "Você vai gostar do que está por vir". Mas eu queria gostar do que estava acontecendo...
O que gerou muito incômodo foram as diferenças nos desenhos de uma edição para outra - e as vezes de uma página para a outra! Em alguns momentos era necessário até voltar para ver se o personagem ainda era o mesmo ou entramos em uma dimensão paralela. O que ocorreu principalmente com Keli Quintela (em um momento ela parece ter cinco anos, em outro aparenta ter quinze), Ametista e Superboy. A Lanterna Quintela e Ametista deveriam ser os destaques, já que Quintela está em sua primeira aparição e Ametista reaparecendo depois de um tempo na geladeira.
A edição brasileira está muito bem feita. A encadernação está mais bonita do que a da Naomi, usando aparentemente os mesmos papéis da capa e miolo com a diferença que apresenta leves relevos em alguns personagens. Tradução e edução por Rodrigo Oliveira, adaptação de Pedro Catarino e letras por Flávio Soares.
Só o que me influencia a comprar o volume 2 é saber que vai ter bem mais de Keli Quintela do que o volume 1. Mas se fosse depender do conteúdo desse volume para continuar lendo iria preferir ficar só nesse mesmo. Para concordar ou discordar comigo, só lendo.
CONTO - Os gafanhotos vêm para ajudar
POR QUE HOJE O BRASILEIRO ODEIA A SOCIAL DEMOCRACIA?
CHESPIRITO E A AVERSÃO A HOMOSSEXUAIS EM CHAVES E CHAPOLIN
No episódio um jornalista (Carlos Villagrán) invoca o Chapolin colorado e lhe pede ajuda em uma tarefa. O jornalista foi obrigado pelo chefe a fotografar a bailarina russa Mangova (Florinda Meza), no entanto ela nunca deixou ninguém a fotografar. Para conseguir finalmente uma foto da bailarina pede a ajuda de Chapolin, que ao saber do enorme segurança da bailarina (Ruben Aguirre) desiste de ajudar. Chapolin se convence em socorrer o jornalista ao saber que se ele não conseguisse a foto seria demitido. Em um momento do episódio a bailarina conta porque não gosta de ser fotografada. O episódio então se torna uma história dentro da história – bem comum nas obras de Bolaños – que conta um caso ocorrido em um quartel. Em um dos momentos nessa história uma fotógrafa entra disfarçada de soldado e começa a falar com Chespirito – personagem que tem como nome o apelido de Bolaños e também é interpretado por ele. A mulher estava em busca de uma fotografia do general do lugar, Chespirito havia entrado na sala vestindo as roupas do general e a mulher se confunde. Pensando que Chespirito é o general começa a flertar com ele. Chespirito acredita que ela é um homem.
![]() |
| Episódio "O descobrimento da tribo perdida" Imagem: Reprodução/Multishow |
Leituras
-
Quadra para São Frutuoso São Frutuoso de Constantim, rogue do céu por mim. Peça Serafins aos meus lados, proteja-me dos cães danados. Escrev...
-
Roberto Gómez Bolaños sem sombra de dúvidas foi um artista muito – ou como diria o Chaves, “muitissíssimo” - talentoso. Suas habilidade...
-
Uma matéria apresenta essa foto como sendo de Sarah Winter espiã Nazista. Hoje, dia 15 de Junho de 2020, a guerrilheira reacionária b...
-
Em um instante no interior do ônibus, registrei uma interessantemente comum paisagem. Um lugar de não lugar, pois quem lá chega não pretende...











