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COP 30 Nasceu morta


Com o atual cenário mundial de guerra, temor de guerra na Europa e Oriente, conflito econômico intenso entre EUA e China, e com Donald Trump sendo Presidente dos EUA, a COP 30 infelizmente nasceu morta.

O ambiente internacional não é propício para uma COP com resultados efetivos para planejar e investir (os países ricos) grandes montantes para a questão ambiental. Quando sua casa está em chamas você não senta e planeja como diminuir queimadas na Amazônia, você apaga o fogo da sua casa. Depois pensa no dinheiro para a energia elétrica do fim do mês, até porque mortos não precisam de energia elétrica, ou de Meio Ambiente equilibrado. O atual movimento no globo é dos EUA tentando não perder espaço para China, e grande parte da Europa temendo uma expansão da Rússia. Fora as últimas notícias sobre a Índia e Paquistão. 

Como discutir seriamente o investimento (especificamente o Brasil conseguir ganhar investimento de países com capacidade para isso) e políticas contra problemas ambientais sem saber se as sociedades como conhecemos existirão no ano que vem? Exagero, em certa medida, esse "fim" das sociedades. Porém, as possíveis mudanças drásticas não são exagero. Quem da Europa vai investir o suficiente tendo em vista que precisam investir muito nos próprios exércitos? Com Trump fora da Mesa de negociação, ainda existe algum sentido na COP 30? China vai estar disposta a assumir o papel dos EUA? Rússia?

Para além disso, creio que antes de discussões internacionais, planejamento local, regional e nacional é indispesnável. Sem ele o que o Brasil quer da COP 30? Para onde a Amazônia, para falar apenas de uma região do Brasil, quer caminhar? O governador perguntou isso para a população? Ao mesmo tempo que o Governo Federal apoiou uma COP 30 no Brasil, é altamente defensor da exploração de petróleo na Foz do Amazonas. 

É totalmente compreensível o interesse em explorar petróleo. É justo quando se planeja mais postos de trabalho, tecnologia (inclusive investimento em novas), comércio internacional, arrecadação, etc. Mas inegavelmente é contraditório com a COP 30. É nítido que depois da COP 30 o Governo Federal e Estaduais estarão empenhados em realizar a exploração desse petróleo. Compreensível. Caso a população local e regional deseje um planejamento de desenvolvimento regional e nacional dentro da economia do petróleo e tudo que está ligado com ele, bônus e danos, até eu apoio essa exploração. Mas alguém perguntou o que a população quer?

O Governo Estadual do Pará e Municipal de Belém estão abertamente tratando a COP 30 como a Copa que não foi. A Copa de 2014 que Belém perdeu para Manaus, que sediou os jogos. Pretende realizar melhorias estruturais (muito bem vindas) que poderiam ter sido feitas com os investimentos para a Copa. Falam, especialmente o Prefeito, na COP como um grande momento para a economia local. Certo... Mas e o tema da COP, como fica? Soluções sustentáveis, planejamento para conseguir investimento em pesquisa científica, tecnologia, parcerias internacionais, etc. Belém sabe o que quer da COP 30? E o Pará? E o Brasil?

Sei que em um cenário de caos internacional, como o atual, é possível pensar e investir em energias renováveis (como a União Europeia pesquisando coleta de energia solar no espaço, até pelo problema com a dependência de fontes russas de energia - China seguindo um caminho semelhante com essa tecnologia - enquanto Trump quer voltar ao carvão sem planos de mudar isso). Porém, os países estão dispostos a compartilhar investimento e conhecimento com o Brasil? O Brasil quer isso na COP? O Pará quer algo além de movimentar a economia de Belém e regiões nesse período da COP 30?

A COP 30 já nasceu morta quando em plano local e regional não existe nenhum planejamento de desenvolvimento sustentável que pretendem impulsionar com essa Conferência. E não existe, ou não parece existir, discussão a respeito dos objetivos locais/regionais/nacional com o evento. O atestado foi confirmado com o cenário internacional nada propício para eventos internacionais efetivos para sustentabilidade. COP 30 acaba, falando sobre como devemos usar energias renováveis, e no dia seguinte o Governo está fazendo o projeto de exploração de petróleo na Foz do Amazonas.

Talvez fosse mais efetivo um evento de âmbito nacional. Menos custoso e mais eficaz para planejar e executar. É possível levar a COP 30 a sério regionalmente quando a população local migra para áreas distantes em busca de menos violência e algum emprego? Não seria melhor pensar primeiro em âmbito local, regional e nacional antes de buscar investimentos internacionais? Quem sabe ainda dê tempo para a COP 31. 

Um dos resultados atuais da COP 30 em Belém é a inflação.

COP 30 em Belém do Pará, aqui na Amazônia, não serve para nada?

 

Tela de site Agência Pará, publicação sobre projeto do Estado do Pará para Educação Ambiental




Quando a COP 3 foi anunciada em Belém, aqui no Pará, o primeiro pensamento que tive foi "A cidade não tem suporte para um evento desses". Como morador de Ananindeua, cidade colada a Belém, e frequentador da cidade, facilmente se percebe que a capital do Pará terá que mudar muito para ser uma cidade com capacidade, utilitária e de beleza, em receber um evento como o COP 3. Os planos já estão sendo montados. Acredito que a ideia de uma cidade conectada seria o ideal (conectando Belém, por rios e estradas, com as cidades próximas, como Bragança, Barcarena, Marituba, Castanhal, Mosqueiro... Acredito que Ananindeua teria de se reestruturar grandemente para ser uma dessas, e deve!) para conseguir auxiliar no recebimento do evento (o evento de ontem - 26/06/23 - do Governo do Estado mencionou essa estratégia - ver: https://www.youtube.com/watch?v=80oBSZdNnwg). O que seria um ótimo incentivo para algo que já deveria ter um foco bem maior na região há tempos: transporte por vias fluviais.

Em seguida, fiquei refletindo sobre a utilidade prática do evento. Serve para algo? Não estou pensando como alguns comentadores que bradam ser um evento inútil por "Querer dizer o que o Brasil deve fazer com a Amazônia". Creio que é um pensamento de desconhecimento e que não possui a mínima preocupação com - ou entendimento da importância em todos os setores - a questão ambiental. Minha reflexão é outra.

Há algum tempo penso que os eventos internacionais que discutem a questão ambiental não surtem muito efeito prático. Tornam-se apenas discussões sem muita utilidade prática. Existe a possibilidade de países como o Brasil pressionarem por investimentos internacionais. Principalmente sendo sede do evento. O fundo prometido para o país não saiu, a expectativa é que venha nas próximas COP ou na COP 30. Caso a COP 30 não resulte em grande aporte de recursos internacionais para o Brasil caminhar para mais sustentabilidade, o campo de pesquisa em Ambiente, Educação Ambiental e Tecnologia Sustentáveis no Pará não se torne referência no Brasil e mundo, a COP se firmará como uma grande inutilidade.

No lugar de metas internacionais, acredito que para países como o Brasil o mais importante são as discussões e atuações regionais e locais. Uma política de Educação Ambiental foi divulgada pelo Governo do Pará em junho de 2023. Ela apresenta soluções regionais e locais muito boas como o Programa Dinheiro na Escola Paraense, com repasse de verbas diretamente para as escolas (o que anularia o discurso de que Educação Ambiental não é realizada na escola por falta de verbas do Governo). Apresenta coisas duvidosas, como a criação de disciplina obrigatória de Educação Ambiental. A Política Nacional de EA proíbe isso. E creio que o incentivo e empenho do Governo deveria ser para a transversalidade da Educação Ambiental e não criação de disciplina específica. A temática ambiental pode e deve estar presente em todas as disciplinas. Nenhum conteúdo seria perdido para isso ser realidade. Os professores precisam de formação continuada que mostre na prática como inserir essa temática em suas aulas. As escolas devem ser orientadas a funcionarem de uma forma mais orgânica, conhecendo seus objetivos (expostos inclusive em seu Projeto Político Pedagógico, que deve ser elaborado democraticamente pela comunidade escolar). A Educação e prática sustentáveis estão sendo fortemente incentivadas com essa Política. 

Eventos municipais que discutam e proponham soluções para a questão ambiental também são fundamentais. Incentivar a mobilização de grupos, como pequenos pelotões, que discutam e proponham dentro da temática é crucial para a realidade de melhorias em nossa relação com o Meio Ambiente e a Natureza. O consumismo deve ser um dos temas principais - como já apresentava Roger Scruton em seu "Filosofia Verde". O consumo é interligado com toda a cadeia de problemáticas ambientais e a maior ferramenta de solução. 

Espera-se investimentos internacionais na região. Mais parcerias entre as Universidades amazônicas e as, principalmente, da Europa e Estados Unidos da América. O desenvolvimento tecnológico sustentável, de floresta em pé, é o futuro que a população do Brasil ainda não consegue ver. A Educação Ambiental pode contribuir para essa percepção. O Brasil pode ser um jogador importante no cenário global no que diz respeito as tecnologias sustentáveis. No entanto, acredito que a coisa começa no regional/local para o global, e não o inverso. Caso desconsiderem isso, esses eventos se tornam inúteis. Que a COP 30 não seja.

Que a COP 30 seja um ponta pé inicial para a devida atenção com o Museu Emilio Goeldi e com propostas como a do Plano Estadual da Bioeconomia do Pará (ver: https://www.semas.pa.gov.br/wp-content/uploads/2022/11/Plano-da-Bioeconomia-vers%C3%A3o-FINAL_01_nov.pdf).

Uma das ideias também poderia ser tornar Belém - Ananindeua deveria seguir a dianteira nisso - uma das cidades mais arborizadas do Brasil. Sem esquecer a questão da violência... Não é possível pensar sustentabilidade sem pensar junto os altos índices de violências. Escrevo isso como alguém que mora em Ananindeua. O que dá algum conhecimento prático de causa.

Medida cautelar de afastamento de Ricardo Salles, mas e o Bolsonaro?

Na noite dessa segunda feira, 06 de julho de 2020, a BBC Brasil escreve:



Na matéria de André Shalders é comentado que o Ministério Público Federal acusa Salles de atuar para desestruturar a política ambiental do país. Desestruturação orçamentária, fiscalizatória e outras.  Disso ninguém duvida, mas e o Presidente desse Pós Governo ("pós" porque já acabou há tempos)? A sua atuação no início, tentando desnutrir o Ministério, vai ser considerada improbidade? 

OS LIVROS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL QUE “NINGUÉM” LÊ, MAS DEVERÍAMOS: PUBLICAÇÕES DO MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE

Tela inicial do site do Ministério do Meio Ambiente (05-07-2020)


No dia 30 de outubro de 1973 o Diário Oficial da União anunciava a partir do Decreto Nº 73.030 a criação da Secretaria Especial do Meio Ambiente (primeiro secretario foi Paulo Nogueira Neto, professor da USP). Em sua primeira disposição anunciava:

     Art. 1º. Fica criada, no Ministério do Interior, subordinada diretamente ao Ministro de Estado, a Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA), órgão autônomo de administração direta, nos termos do artigo 172 do Decreto-Lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, com a redação dada pelo Decreto-Lei nº 900, de 29 de setembro de 1969, orientada para a conservação do meio ambiente, e o uso racional dos recursos naturais.

As questões ambientais teriam então uma Secretaria específica, criada no Ministério do Interior. Essa atitude do semestre final da gestão do Presidente Ditador Emílio Garrastazu Médici estava dentro do contexto mundial da época. Desde a década de 1960 o clamor da população civil crescia pedindo que os governos voltassem suas atuações para as causas ambientais. No âmbito da administração política mundial, os chefes de Estado tinham que, cada vez mais, mostrar preocupação com a construção de uma relação saudável entre animais humanos e a natureza. O conselho científico do Presidente Estadunidense John F. Kennedy já havia aceitado o método de pesquisa da bióloga Rachel Carson como legítimo. O próprio Kennedy afirmava concordar com a “Primavera Silenciosa” (Silent Spring) de Rachel Carson. O movimento ambientalista de nossos tempos era então afirmado como legítimo e racional. Os Estados Nacionais teriam então que adequar sua imagem.

Os “Grandes Projetos” da ditadura brasileira tinham que se afirmar como de acordo com a preservação ambiental. No ano anterior ao da criação da Secretaria, em 1972, o governo brasileiro apresentaria o país na Conferência de Estocolmo (a primeira grande reunião mundial sobre a causa ambiental) como um Estado Nacional de problemas ambientais locais, que não se tornavam internacionais, pois seria um país em desenvolvimento. O governo brasileiro enfatizou que o desenvolvimento que defendia e praticava não era antagônico ao meio ambiente.

A Secretaria de Meio Ambiente passaria na gestão de José Sarney ao nível de Ministério do Desenvolvimento Urbano e do Meio Ambiente, no ano de 1985. Com Collor de Mello, em 1990, retorna como Secretaria de Meio Ambiente (situação revertida com Itamar Franco), e na gestão Fernando Henrique Cardoso, em 1999, é transformado no Ministério do Meio Ambiente (MMA) - o que se mantém até o dia de hoje.

A atual gestão da Presidência da República apresentou uma visão contrária, ainda na época da campanha eleitoral, ao Ministério do Meio Ambiente, mas teve de reconhecer os problemas que isso iria gerar e voltou atrás. Mas mesmo dessa forma praticou um esvaziamento nas atribuições do Ministério.

Destaco que uma atitude positiva da gestão do atual Ministério (Ricardo Salles) foi o lançamento de oito cursos online voltados para a área ambiental. Entre os cursos que já foram apresentados pela atual gestão estão “Educação Ambiental e Água” e “Estilos de vida sustentáveis”. O Ministério fornece cursos online desde pelo menos o ano de 2017 (gestão de Sarney Filho).

No entanto, no atual site dos cursos EAD do Ministério não consegui acessar nem mesmo a lista dos cursos disponíveis. Ao entrar no site você será bem recebido com uma imagem da floresta amazônica que apresenta um texto de boas vindas ao ambiente “virtal” de aprendizagem (um pequeno erro de digitação, obviamente). Porém os links de acesso aos conteúdos parecem estar com algum erro, pois não funcionaram. Além do citado, nada me vem à mente como ponto positivo da atual gestão.

Algo negativo, referente à Educação Ambiental (EA), da atual gestão do Ministério do Meio Ambiente é falta das publicações sobre EA. Na verdade quando o atual governo venceu as eleições pensei que as páginas com essas publicações seriam desativadas. Mas talvez o mais preocupante seja o fato que aparentemente ninguém sentiu falta da continuidade das publicações.

Pelo menos desde 2012 é intenso o número de publicações do Ministério do Meio Ambiente sobre Educação Ambiental, Desenvolvimento Sustentável e Responsabilidade Socioambiental. O MMA apresenta uma seção em seu site oficial com suas publicações sobre EA. Essas publicações, junto com as que eram publicadas pelo Ministério da Educação, são muito importantes tanto para alunos de graduação, professores na ativa e para qualquer educador ambiental.

As publicações sempre apresentam grandes nomes da Educação Ambiental nacional. Philippe Pomier Layrargues, Isabel Carvalho, Mauro Grun, eram nomes que sempre estavam presentes nas publicações. Nomes indispensáveis para qualquer discussão sobre Educação Ambiental.

Publicações como as da série “Série População e Desenvolvimento Sustentável” e a “Encontros e Caminhos: Formação de Educadoras(es) Ambientais e Coletivos Educadores” (2014) são algumas das muitas importantes publicações do MMA. Essas precisam ser conhecidas pelos professores na ativa e por aqueles ainda em formação.

Outra publicação bastante notável é a “Vamos cuidar do Brasil: conceitos e práticas em Educação Ambiental na escola” (2007), uma parceria entre o Ministério da Educação e o do Meio Ambiente. Um dos artigos apresentados é o de Denise Botelho. O texto intitulado “Religiosidade afro-brasileira e o meio ambiente” pode ser de grande utilidade para os professores discutirem ao mesmo tempo Meio Ambiente, Natureza e religiões de matrizes africanas.

Os professores do Ensino Superior possuem o conhecimento dessas publicações? É preciso formar professores que conheçam os locais que podem adquirir formação continuada por meio digital. Os textos que tanto o Ministério da Educação quanto o do Meio Ambiente publicam não podem ser ignorados pelo Ensino Superior e pelos professores em atuação. São materiais que possibilitam uma grande ajuda contra as dificuldades presentes no Ensino Básico quando se trata em fazer EA.

As publicações do Ministério do Meio Ambiente não funcionam apenas como orientação, mas podem, e creio muito que devem, ser utilizados como fonte de pesquisa para compreender as visões dos governos sobre a questão ambiental. Quais pesquisadores estão sendo chamados? Quais autores esses utilizam de base teórica? Que projetos de Educação Ambiental eles apresentam? Possuem propostas para melhorar a Economia de Mercado ou suas propostas são com um horizonte Socialista, Anarquista ou algum outro? Muitas perguntas que podem ser feitas para a análise desses materiais. Materiais que quase ninguém conhece, mas deveriam ser muito mais utilizados.


Até o momento o atual MMA não realizou publicações com artigos de pesquisadores da área. A curiosidade é grande para se ocorrerão publicações nesse sentido ou não. E se caso elas existam, quais serão os pesquisadores convidados? Quais autores utilizarão como base teórica? As publicações vão possibilitar novos debates sobre EA e novas pesquisas. Abaixo apresento uma tabela com as publicações do Ministério de 2019 a 2020. Nenhuma publicação da gestão atual é direcionada especificamente para a formação em Educação Ambiental.



TABELA PUBLICAÇÕES MMA 2019-2020
NOME
DATA NO SITE
Política Nacional de Educação Ambiental 5ª Edição
21 de janeiro de 2019.
Boletim Informativo – Aplicação do R-290 em Equipamentos de Refrigeração Comercial.
08 de maio de 2019.
Boletim Informativo – Aplicação do CO2 em Equipamentos de Refrigeração Comercial
08 de maio de 2019.
Roteiro para Criação de Unidades de Conservação Municipais – Versão Atualizada.
24 de maio de 2019.
Biodiversidade Brasileira: sabores e aromas.
03 de julho de 2019.
Série BIODIVERSIDADE – Biodiversidade 52.
02 de julho de 2019.
Treinamento e Capacitação para Boas Práticas em Sistemas de Ar Condicionado do Tipo Janela e Mini-split.
02 de agosto de 2019.
Estudo de Caso 1: Projeto Demonstrativo de Melhor Contenção de HCFC-22 em Supermercados.
30 de agosto de 2019.
Estudo de Caso 2: Projeto Demonstrativo de Melhor Contenção de HCFC-22 em Supermercados.
10 de dezembro de 2019.
Série BIODIVERSIDADE – Biodiversidade 55.
14 de janeiro de 2020.
Relatório com Informações sobre Tecnologias/Equipamentos de Baixo GWP para Ar Condicionado Residencial.
11 de março de 2020.
TFCA A experiência brasileira: Fases II e III – Relatório de ações de 2016-2019.
28 de abril de 2020.
Estudo de Caso 3: Projeto Demonstrativo de Melhor Contenção de HCFC-22 em Supermercados.
19 de junho de 2020.


Tabela com as publicações do Ministério do Meio Ambiente, publicações inseridas no site entre 2019-2020. Nota-se que a publicada em Janeiro ainda é da gestão de Edson Duarte (Ministro do Presidente Michel Temer).

Educação Ambiental na pandemia: entre positivos e negativos online

Uma matéria recente de Ari Kelo no theRising  levanta uma questão importante para a Educação Ambiental no momento de crise no qual o globo se encontra atualmente. Reconhecendo os problemas educacionais causados pela necessidade de continuar o ensino por meio online, Kelo chama atenção especial para os problemas gerados para a Educação Ambiental (EA). O principal seria a impossibilidade de aulas de campo, algo essencial para a EA. No entanto também chama atenção para as positividades do ensino online.

O isolamento obviamente diminui nosso contato com o mundo ao redor. A Educação Ambiental, como ressaltado pela bióloga marinha citada na matéria de Ari Kelo, necessita dessa interação e observação para o desenvolvimento dos educandos. 

Porém, com a EA online também é possível abrir as aulas para o público, formando mais alunos do que os de uma sala formal em determinado ambiente escolar. A capacidade de obtenção de informações pelo meio digital também é outra vantagem. 

As aulas de Educação Ambiental online podem permitir um maior alcance para formar mais sujeitos, mas dificuldades geradas pela falta de conhecimento das ferramentas digitais, o que ocasiona menor criatividade dos educadores na metodologia educacional, se tornam outro negativo. O ensino online deve ser dever de casa dos educadores que ainda não o conhecem. Há algum tempo muitos desses diziam que era um ensino "estéril", fácil de fazer e que nada ensina realmente. Agora muitos são obrigados a ver que não é bem assim. Para construir uma boa metodologia de ensino online, o estudo por parte do educador é indispensável.


O Ex Presidente Jair Bolsonaro diz que faz o melhor possível pela causa ambiental: força, guerreiro do povo brasileiro!


No último dia 02 de julho de 2020 o Ex Presidente da República Federativa do Brasil, aquela República que o José Serra pensava ainda se chamar “Estados Unidos do Brasil”, Jair Messias Bolsonaro, o qual o governo já acabou há bastante tempo, tratou de ligar seu computadorzinho de alguma marca mais baratinha, afinal não gosta de coisas luxuosas, para a reunião de Cúpula do Mercosul. Deve ter esperado para seu momento de fala em quanto segurava sua caneta BIC e sua folha de papel, arrancada de um caderno antigo para economizar as árvores, apoiada em um livro que em sua lombada indica com letras garrafais: “IDIOTA”. Livro de autoria de seu admirado e respeitado Filósofo Patriota que mora na Comunidade da Virginia, Estados Unidos.

Segundo notícia do Estadão, Bolsonaro (o corretor fica estranhamente indicando “Bolsonaro” como errado) afirmou que continuará dialogando com os diferentes interlocutores para “desfazer opiniões distorcidas sobre o Brasil” e expor as ações positivas que seu governo tinha tomado para proteger a floresta amazônica e do bem estar das populações indígenas. Eu estou aguardando a exposição.

A matéria do Estadão se preocupa em expor a realidade dos resultados do governo na área ambiental. Bolsonaro não se esforça nem em fingir algum tipo de preocupação. Com os que faleceram em decorrência do Covid-19 se põe apenas a dizer que não pode fazer nada, pois todo mundo vai morrer um dia. O historiador Marco Antônio Villa, em uma live pelo YouTube do dia da reunião da Cúpula (02/07/2020), enfatizou que Jair Bolsonaro não teve a sensibilidade de viajar para o Sul do país em respeito aos dez mortos pelo ciclone e aos outros que sofrem com a tragédia. É gastar tempo exigir isso do Ex Presidente, já que ele diria apenas que não pode fazer nada, pois todo mundo vai morrer um dia.

Apesar de tudo, o seu Pós Governo (já que está na moda usar o prefixo “pós”) continua sendo apoiado por alguns empresários que concordam que “Meio Ambiente é o câncer do país”.

Você, caro leitor, não se surpreenda caso Ricardo Salles saia do Ministério do Meio Ambiente para dar espaço a algum sujeito como Luiz Carlos Molion ou Ricardo Felício. Alguns dirão que é tudo parte da conspiração Neoliberalizante do mundo Ocidental Pós Moderno (olha o prefixo aí de novo), mas poucos se atentam para a realidade: as políticas do Governo do Ex Presidente Bolsonaro vão pelo lado contrário ao que temos de mais atual na Economia de Mercado, o que já é presente e será o futuro. A floresta em pé pode dar mais lucro em médio e longo prazo do que a derrubada, o investimento do Estado Nacional em tecnologias menos poluentes e despoluentes, incentivos para startups ecológicas, etc. Até o agronegócio sofre vez ou outra com a política ambiental bolsonarista - que cá entre nós alguém deve ter lido em uma CreepyPasta da DeepWeb, achado que era verdade o bilhete e dado um Ctrl-C e Ctrl-V.

Talvez quando tivermos novamente um Presidente da República consigamos desenvolver um Brasil melhor com uma economia inteligente, diversificada e que toma a questão ambiental como fundamental e não como detalhe. Mas cabe a nós o estudo contínuo para saber escolher. Pelo menos hoje sabemos o bastante para não colocar alguém que não sabe o que é Tripé Macroeconômico em um cargo que esse tenha de nomear um Ministro da Economia, não é? Não, pera...

As contribuições de Roger Scruton para a Educação Ambiental - PARTE DOIS: UMA CRÍTICA PESADA, MAS NECESSÁRIA

As contribuições de Scruton para a EA - Parte dois. 
Imagem construída a partir da foto disponível 
em fronteiras.com e imagem de divulgação do livro.


Nessa postagem se continua o proposto em “As contribuições de Roger Scruton para a Educação Ambiental - PARTE UM: APRESENTAÇÃO”. Aqui na segunda parte me ponho a apresentar como as críticas de Roger Scruton ao movimento ambientalista de nossos dias podem ser utilizadas para uma auto reflexão dos educadores ambientais, ambientalistas e pesquisadores do campo.

“Os problemas relacionados ao meio ambiente parecem estar tão fora de nosso alcance que ficamos à deriva, perdidos entre opiniões e políticas concorrentes, mas sem termos, de fato, um ponto de apoio, exceto nos rastros de nossas preocupações” (SCRUTON, 2016, p. 7).

Para compreender as propostas de Roger Scruton para o campo ambiental é importante refletirmos primeiramente sobre suas críticas ao movimento tal como se apresenta hoje, grande parte das vezes pelo menos.

A citação anterior é o início do prefácio de “Filosofia Verde: como pensar seriamente o planeta”. Com ela podemos começar a adentrar as críticas de Scruton sobre as visões mais frequentes de muitos ambientalistas. 

Para muitos a problemática ambiental teria se tornado tão grande que nós não teríamos a mínima possibilidade de fazer algo. Scruton apresenta essa noção como uma problemática. O autor destaca que dentro dessa lógica damos créditos aos alarmistas “pois ninguém é tão sombrio sem uma razão” ou aos céticos “uma vez que nos oferecem esperança”. Nesse jogo, as soluções ficariam relegadas às ações governamentais, afinal somos pequenos demais para fazer algo. Surgiriam então os projetos de grande escala deixados “nas mãos dos burocratas”. Scruton aponta contradições nesses quando em um momento anunciam enormes projetos de energia limpa e no outro prometem expansão de aeroportos e rodovias, além de subsídios para a indústria de automobilística. 

Um ponto muito importante nessa crítica de Roger Scruton é a de que “Nenhum projeto de larga escala terá êxito se não estiver enraizado no raciocínio prático de pequena escala”. Sua crítica, e ao mesmo tempo proposta, é de que para a implementação de grandes projetos que funcionem é necessário o “recrutamento” do cidadão comum. O autor se afirma como contra as políticas “de cima para baixo”. 

Essa noção é importante para educadores ambientais no Brasil refletirem. Afinal, nossa legislação ambiental é uma das melhores do mundo, mas a população normalmente não a conhece e dessa forma nem mesmo tem como desenvolver o interesse por ajudar em sua aplicação – já que nem sabe de sua existência. Não me refiro apenas às legislações contra o desmatamento na Amazônia (que posteriormente no livro Roger Scruton reconhece como um dos campos que apenas a atuação do Estado pode suprir um controle mais efetivo, porém com necessidade de conscientização do cidadão comum), mas também as voltadas ao ambiente urbano. 

Em cidades como Ananindeua (PA) ou Belém (PA) não é nada incomum se deparar com uma família que paga alguém para se livrar de alguns entulhos, sejam materiais velhos que precisam de destino depois de uma reforma na casa ou móveis que não são mais usados. Isso muitas vezes se torna incômodo e motivo de reclamação apenas quando esses materiais são despejados na frente, ou muito próximos, da entrada de alguma residência. Porém os mesmos moradores que reclamaram, outro dia estarão pagando alguém para realizar o mesmo feito. Existe legislação que proíbe, o município pode ser alertado para tomar atitudes, mas não existe a conscientização da população sobre a importância de lutar contra essas práticas. Contra as doenças e a “quebra” da paisagem que provocam. Uma das soluções apresentadas por Scruton é a formação de “Pequenos Pelotões”, mas esse é assunto para outro momento, porém necessário apontar que as críticas do autor sempre estão ligadas com propostas. 

Outra crítica levantada pelo autor é a ideia de que o movimento ambientalista seria necessariamente “de esquerda” – aspas do próprio autor. Essa visão seria presente tanto pelos representantes quanto opositores do movimento, mas o autor apresenta um pequeno histórico da preocupação ambiental para mostrar que isso não é real. Volta-se rapidamente para os movimentos da Grã-Bretanha no século XIX, ao ambientalismo estadunidense, ao ambientalismo francês de conservadores e do alemão do início do século XX. Perspectiva importante para pensarmos a complexidade do movimento ambientalista. 

O autor aponta para um fato de relevância para os educadores ambientais e também para os ambientalistas. Esse fato é o de que não apenas em uma economia de mercado “estragos ecológicos” são gerados. Ressalto que para muitos ambientalistas, isso, que deveria ser lógico, não é levado em consideração. Essa lógica é substituída por uma noção de que apenas uma “Revolução” contra o “Capitalismo” poderia resolver os problemas ambientais. Mas o que viria depois? Quando pensam nessa parte, normalmente o “Socialismo” é apresentado como tal caminho. 

No entanto, não podemos apagar da história que os modelos econômicos anti mercado, socialistas, que se instauraram causando tantos problemas quanto podem ser observados no modelo econômico voltado para a economia de mercado. Scruton cita as coletivizações forçadas, a “industrialização caótica”, projetos de remanejamento populacional errôneos e mudanças drásticas no curso de rios e paisagens como alguns dos problemas gerados por modelos econômicos centralizados como na União Soviética e na China. 

Creio que seja importante ressaltar tais problemas ambientais como resultantes das propostas Socialistas de economia. Dessa forma conseguimos perceber que não é uma “Revolução contra o Capitalismo” que vai solucionar todos os problemas do mundo. Os problemas podem aparecer em qualquer modelo econômico e podem ser solucionados também em qualquer modelo econômico, pois esses são feitos por animais humanos e não por divindades. Porém também é necessário reconhecer que na economia de mercado mais soluções foram apresentadas, além das capacidades desse mesmo modelo em incentivar muitas outras (ver “Capitalismo Natural: criando a próxima revolução industrial” de Amory Lovins; L. Hunter Lovins e Paul Hawken. Não confundir com o termo “capitalismo verde” como entendido por críticos da economia de mercado afirmando que as empresas apenas fingem atuação de forma sustentável – que é uma crítica que Scruton apresenta tanto para as políticas globais e nacionais como para o empresariado e principalmente as multi nacionais, apresentando soluções para tal problema). 

Compreender a economia de mercado como o grande problema da questão ambiental, e que a única forma de solucionar tal equação é anulando esse modelo econômico, além de ser uma lógica ingênua é perigosa. Divinizar um modelo econômico em relação a outro ignora que tais modelos são concebidos e geridos por animais humanos, logo, não perfeitos. Focar um movimento ambientalista ou a Educação Ambiental na luta contra “o capitalismo” como única solução possível é seguir os mesmos erros cometidos no passado, que pensavam ser impensável que em modelos Socialistas problemas ambientais aparecessem, afinal: 

“De acordo com o convencional dogma Marxista-Leninista, a degradação ambiental era precipitada pela lógica do capitalismo e seus implacáveis incentivos de lucros” (DÍAZ-BRIQUETS; PÉREZ-LOPES, 2000, p. 17. Tradução minha). 

Scruton, por sua vez, também volta sua crítica para alguns daqueles “que se autodenominam conservadores” no campo político. O autor apresenta que esses muitas vezes avaliam a política com uma lógica estritamente dicotômica: liberdade individual e o controle estatal. Então, a liberdade individual supõe a liberdade econômica, na lógica desses autodenominados conservadores isso implica na liberdade de explorar os recursos naturais para fins financeiros. Roger Scruton mostra que nessa lógica estariam permitidas as madeireiras que devastam as florestas tropicais, as mineradoras que decepam as montanhas, a empresa automobilística que produz interminavelmente gigantes números de veículos, os fabricantes de refrigerantes com sua gigantesca produção de embalagens plásticas. Mas o autor enfatiza que “[...] uma resposta conservadora plausível não sairia em defesa de uma irrestrita liberdade econômica, mas reconheceria os custos dessa liberdade e viria ao encontro de medidas para reduzi-los” (SCRUTON, 2016, p. 14). Destaca a importância da livre iniciativa, mas também do Estado de Direito que as contenha. 

Outra crítica de Scruton que deve ser refletida por todos nós é a de algo que ele chama de “externalização de custos”, Valdo H. Barcelos chama de “exterioridade ao problema”, e eu prefiro chamar de “terceirização de responsabilidade” (até porque em um cenário atual brasileiro o termo “terceirização” causa mais impacto). 

Isso seria jogar os problemas ambientais para outro alguém que não seja “nós”. Esse “nós” pode ser uma empresa, que Scruton comenta que podem externalizar os custos ambientais para outros, ou esse “nós” podem ser você e eu. Afinal uma economia de mercado é feita de consumo, não? Continuamos terceirizando nossas responsabilidades com os grandes desperdícios de água e consumo de exagerados níveis de carne bovina. Afirmamos sempre que quem mais gasta água e desmata é o agronegócio e o responsável por fazer algo também é esse. Mas desconsideramos que a água necessária para criar um pequeno espetinho de carne que consumimos em grande quantidade é o suficiente de água para tomarmos mais de sete banhos. Ou mesmo deixamos para lá o fato de a carne bovina ser a maior causadora de desmatamento na Amazônia brasileira. Preferimos “zoar” com os vegetarianos e veganos. Ou seja, quem ajuda a manter práticas nocivas é o consumo. Consumir empresas mais sustentáveis é direcionar o mercado para esse lado. Não basta terceirizar a responsabilidade para empresas sem levar em conta que a base do funcionamento de qualquer negócio é o consumo – qualquer pessoa que empreendeu em qualquer negócio sabe disso, seja uma loja de roupas ou venda de empadas, mas muitos infelizmente não percebem algo tão óbvio. 

Para tanto, Roger Scruton nos apresenta que: 

“Temos, no entanto, de aprender uma lição com Burke, Hegel e De Maistre: reconhecer que a proteção ambiental é uma causa perdida, caso não encontremos os incentivos que levariam as pessoas em geral, e não somente seus representantes a defendê-la.” (SCRUTON, 2016, p. 22-23) 

Devemos reconhecer que é muito comum ouvir pessoas desprezando a questão ambiental por considerar que isso só vai ocasionar problemas em um futuro distante. “Até lá nem tô mais vivo” é comum de ser ouvido de diversas pessoas, mesmo das que possuem filhos pequenos. O desenvolvimento de incentivos para agir é um fator de importância.

As críticas de Roger Scruton são importantes para pensarmos a Educação Ambiental e o ambientalismo. A partir dessas críticas o autor apresenta suas propostas de solução. Essas visam uma colaboração solidária de conscientização da base local para construção de políticas em âmbito nacional e internacional que realmente surtam efeito, mas esse é tema para outro momento. 

Para terminar, por enquanto, destaco que precisamos perceber a importância de contestar as afirmações de que “Os vizinhos sabem há muito tempo o que fazer e não fazem mais porque as grandes políticas não ajudam” (MENDES, 2020). Olhando ao redor do mundo real percebemos que isso está longe da verdade, pois se assim o fosse a Educação Ambiental se tornaria desnecessária.

Referências:
BARCELOS, Valdo HL. Escritura" do mundo em Octavio Paz: Uma alternativa pedagógica em educação ambiental. Educação ambiental: Pesquisa e desafios, 2005, p. 77-97.
DÍAZ-BRIQUETS, Sergio; PÉREZ-LÓPEZ, Jorge F. Conquering nature: the environmental legacy of socialism in Cuba. University of Pittsburgh Pre, 2000.
HAWKEN, Paul; LOVINS, Amory B.; LOVINS, L. Hunter. Capitalismo natural: criando a próxima revolução industrial. Editora Cultrix, 2002.
MENDES, Moisés. O fim do duelo entre Greta e Scruton. Diário do Centro do Mundo. 2020.
PETERSON, D. J. The Legacy of Soviet Environmental Destruction. 1995.
SCRUTON, Roger. Filosofia Verde: como pensar seriamente o planeta. É Realizações Editora Livraria e Distribuidora LTDA, 2016.

As contribuições de Roger Scruton para a Educação Ambiental - PARTE UM: APRESENTAÇÃO.


Há cerca de cinco meses o meu feed de notícias do Google Chrome  me sugeriu uma matéria que fez meus olhos saltarem. Sem rodeios o título anunciava, como uma vizinha que trás as notícias ruins: "Roger Scruton está com câncer". Talvez a pressa por publicar primeiro, em virtude do impacto que poderia ter em um país que consome o autor cada vez mais, tenha deixado o título seco e a matéria curta.

Roger Scruton. Fonte: Gazeta do Povo.

No primeiro momento pensei que era apenas um rumor, afinal nenhum outro veículo de notícias brasileiro havia noticiado o caso. Estranho, principalmente considerando que o filósofo tinha ministrado palestra no Brasil no mês anterior.  Nas matérias do Reino Unido e Estados Unidos não encontrei nada na época, além da fonte usada pela matéria brasileira. 

Hoje, 13 de Janeiro de 2020, meu feed de notícias do Google Chrome me sugeriu uma matéria criticando os brasileiros que transformaram Roger Scruton em "pai de santo" e sugeria a real leitura do autor.

Achei engraçada.  

Concordo que mesmo os que estão lendo o filósofo – ou melhor, os que dizem que estão lendo - não estão o entendendo. Talvez de propósito.

Depois de olhar as notícias nacionais mudei a nacionalidade do "Google Notícias" para Reino Unido. Baixando a tela e um título fez meus olhos saltarem novamente. "Filósofo Roger Scuton morre aos 74 anos".

Triste notícia para iniciar a segunda-feira, que infelizmente confirma a notícia de meses atrás. 

A partir disso vejo o dia de hoje como incentivo para começar a escrever algo que planejava há algum tempo. Este texto pretende iniciar uma série de publicações para apresentar contribuições do pensamento de Roger Scruton para as reflexões dos educadores ambientais sobre a Educação Ambiental.

PENSANDO SERIAMENTE O PLANETA NO PENSAMENTO DE ROGER SCRUTON

A primeira exposição a ser realizada para tratar sobre o pensamento de Roger Scruton referente às questões ambientais é definir as fontes que serão utilizadas. Afinal a única forma de entendermos o filósofo é tendo como base seus escritos e suas falas. 

Para minha análise focarei em algumas de suas entrevistas nas quais a temática ambiental apareceu como tema, artigos do autor que se focam nessa questão e especialmente no livro “Filosofia Verde: Como pensar seriamente o planeta”. Livro publicado originalmente em 2011 e que chegou ao Brasil em 2016, com tradução de Maurício G. Righi pela Editora É Realizações.

Considerando as vendas na Amazon esse não é o livro mais vendido do autor no Brasil. Fica atrás de títulos como “Conservadorismo”, “Como ser um conservador”, “O Rosto de Deus” e “Pensadores da Nova Esquerda”.

Esse é o momento que comento um detalhe importante para o pensamento ambiental do autor: ele se considera um conservador. Não apenas isso. Era, na verdade continua sendo, o filósofo conservador mais importante da atualidade. Não conheço muitos de seus escritos, pois meu campo de pesquisa é o ambiental e os pensamentos de Scruton sobre essa temática é o que se torna importante para minhas pesquisas. 

Com isso ressaltado é importante destacar a leitura errônea da obra do autor feita por brasileiros. As críticas escritas, em vídeo e comentários de supostos leitores de “Filosofia Verde” que encontrei mostram que muitos dos reacionários de direita no Brasil não estão prestando atenção para o montão amontoado de coisas escritas nos livros lidos. Em muitos momentos os leitores afirmam que o autor disse algo, porém ele escreve o inverso. 

Um desses casos é o consumismo.

Muitos leitores afirmam que Roger Scruton, em Filosofia Verde, confirma que a ideia de que o consumismo é um dos pontos a ser combatido para uma melhor intervenção contra os problemas ambientais seria apenas uma “falácia esquerdista”. Esse erro inclusive é repetido, pasme, na orelha do livro. 

O leitor que entrar no conteúdo do texto depois de ter lido a orelha da versão brasileira já terá iniciado com uma percepção errada do debate proposto por Scruton. Afinal de contas o consumismo também é apontado pelo autor nesse livro como um problema. O autor ainda diz mais, afirma que o consumismo é um problema contra o qual a esquerda e a direita deveriam se unir para combater. 

Um grande exemplo de como a leitura de Scruton sobre as questões ambientais é entendida de forma equivocada por muitos leitores – inclusive de quem escreveu a orelha do livro (espero realmente que não tenha sido o tradutor).

Por enquanto paro o texto por aqui. Gostaria de escrever mais, no entanto esse texto está sendo elaborado no horário de almoço de um estudante do curso de Licenciatura em História do Módulo Integral. Daqui a minutos terei uma prova. Ou seja, continuarei depois.

Até mais e obrigado por ter lido até aqui.

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